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Resultados alcançados por essas ferramentas de IA no TCU
No Brasil, a IA já é usada em auditorias públicas para ler documentos em massa, cruzar dados de gastos, selecionar riscos e apoiar o auditor na redação de relatórios e pareceres.
1. Análise de licitações e compras
TCU usa robôs como ALICE (Análise de Licitações e Editais) para ler editais, atas e compras no Compras.gov.br e apontar indícios de sobrepreço, fracionamento e irregularidades, antes mesmo da contratação.
Outros tribunais usam sistemas similares (como IRIS, do TCE‑RJ) para cruzar dados de fornecedores, endereços e histórico e classificar risco em contratações.
2. Assistentes de auditor e leitura de documentos
O ChatTCU é uma IA generativa que ajuda auditores a resumir acórdãos, buscar jurisprudência, comparar decisões e apoiar a elaboração de peças, com uso de RAG e engenharia de prompts.
Na CGU, o CGU‑Insight usa IA generativa para analisar grandes volumes de documentos de auditoria, seguindo o método oficial da própria CGU ao longo de todo o ciclo de auditoria interna.
3. Mineração de dados e detecção de fraudes
Ferramentas de IA fazem mineração em bases massivas (SIAFI, convênios, FNDE, folha, benefícios) para identificar padrões suspeitos, “malhas finas” de convênios e desvios na aplicação de recursos.
A CGU destaca soluções premiadas como robô Alice (convênios), Malha Fina dos Convênios, Malha Fina do FNDE e Faro, com foco em uso preditivo para prevenir fraudes.
4. Diretrizes de uso responsável
A CGU publicou deliberação sobre uso responsável da IA, enfatizando transparência, explicabilidade, proteção de dados e papel central do auditor humano, evitando decisões automáticas sem supervisão.
A própria CGU e o TCU ressaltam que a IA é ferramenta de apoio para aumentar velocidade e qualidade das análises, não substituto da decisão técnica e jurídica dos órgãos de controle.
Resultados alcançados por essas ferramentas de IA no TCU
As ferramentas de IA do TCU já geraram ganhos concretos em prevenção de irregularidades, produtividade dos auditores e qualidade das análises de licitações.
1. Prevenção e correção de licitações irregulares
A Alice ajudou a suspender e refazer editais em estados como Goiás e Roraima, além de apontar problemas em contratações do Itamaraty e obras financiadas pelo IPHAN, evitando que licitações viciadas gerassem contratos irregulares.
Estudos indicam que o uso da Alice tornou o controle de licitações mais eficiente, eficaz e efetivo, permitindo auditoria preventiva e contínua sobre compras e contratações.
2. Ganho de produtividade e alcance do controle
Segundo o próprio TCU, o conjunto de soluções de IA (Alice, Sofia, Monica, Ágata, e‑TCE etc.) aumentou a produtividade dos servidores em tarefas de análise de licitações, textos, orçamentos, disputas eletrônicas e avaliação de risco, liberando tempo para análise de mérito mais profunda.
A Monica ampliou a visão sobre todas as aquisições públicas, inclusive contratações diretas, em um painel único, o que agiliza a identificação de áreas de risco e padrão de gastos suspeitos.
3. Melhoria da qualidade técnica dos relatórios
A Sofia, ao revisar textos e apontar correlações e referências adicionais, contribui para diminuir omissões e fragilidades de fundamentação em instruções e relatórios de auditoria.
Isso reduz retrabalho, aumenta a consistência das análises e fortalece a segurança técnica das decisões do Tribunal.
4. Efeito demonstrativo para outros órgãos
As experiências com Alice, Sofia e Monica foram replicadas ou serviram de referência para CGU, Ministérios Públicos, Polícia Federal e Tribunais de Contas estaduais, que passaram a adotar modelos similares de IA em fiscalização.
Na prática, o TCU consolidou uma cultura de auditoria baseada em dados e IA, com impacto direto na transparência e na proteção do erário.
Fonte: https://sites.tcu.gov.br/inteligencia-artificial/
https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/uso-de-inteligencia-artificial-aprimora-processos-internos-no-tribunal-de-contas-da-uniao
https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/noticias/2025/09/cgu-publica-deliberacao-sobre-o-uso-responsavel-da-inteligencia-artificial-na-atividade-de-auditoria-interna
https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/noticias/2024/04/relatorio-da-ocde-destaca-a-cgu-pelas-iniciativas-inovadoras-em-inteligencia-artificial-generativa